Nota de repúdio ao programa Alô Juca

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Publicidade do Estado da Bahia (SINTERPBA) manifesta seu mais absoluto e veemente repúdio à forma como o programa Alô Juca*, apresentado pelo jornalista Marcelo Castro, na TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia, conduziu a cobertura de uma ocorrência policial: o cinegrafista Gessé Lima foi colocado em situação de risco extremo em uma situação noticiada como sequestro, em Salvador, no final da manhã desta quinta-feira, 30 de julho.

O episódio ultrapassa qualquer limite aceitável da prática jornalística responsável. É inadmissível que um trabalhador da comunicação seja colocado, direta ou indiretamente, em uma posição que possa comprometer sua segurança, sua vida, durante uma negociação envolvendo um suspeito armado e reféns. O papel do profissional de imprensa é informar a sociedade, jamais servir como instrumento em uma operação policial.

A busca por audiência jamais pode se sobrepor ao direito fundamental à vida e à integridade física dos trabalhadores. Nenhum ponto no IBOPE, nenhuma repercussão nas redes sociais e nenhum resultado comercial justificam a exposição de um radialista a uma situação que coloque sua vida em perigo.

O SINTERPBA alerta, ainda, para a crescente banalização dos riscos enfrentados por equipes de reportagem em coberturas policiais. Em diversas ocasiões, profissionais têm sido expostos a cenários de alto risco sem que protocolos rigorosos de segurança sejam observados. Essa prática é inaceitável e precisa ser enfrentada com responsabilidade por empresas de comunicação, gestores e autoridades públicas.

Os profissionais da comunicação não são escudos humanos, negociadores, mediadores de conflitos ou participantes de operações policiais. São trabalhadores que exercem uma atividade essencial para a democracia e têm o direito de retornar em segurança para suas famílias ao final de cada jornada.

Diante da gravidade dos fatos, o SINTERPBA exige que a direção da emissora esclareça as circunstâncias do ocorrido, reveja seus protocolos internos de cobertura e adote medidas efetivas para impedir que situações semelhantes voltem a acontecer.

Da mesma forma, o sindicato cobra da Secretaria da Segurança Pública um posicionamento oficial sobre os procedimentos adotados na ocorrência e sobre as medidas que serão implementadas para garantir que operações policiais preservem a atuação da imprensa sem colocar em risco a vida dos profissionais da comunicação. O SINTERP continuará vigilante na defesa dos direitos, da dignidade e da segurança dos trabalhadores da radiodifusão.

Salvador, 30 de julho de 2026

Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Publicidade do Estado da Bahia (SINTERPBA)

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